Parâmetros do processo
Temperatura de saída × velocidade de varredura
Profundidade pelicular δ × frequência (material selecionado)
Perfis comerciais (metalon e barras)
Seções tubulares quadradas e retangulares de uso corrente no Brasil (NBR 6591), além de barras maciças de referência. A área de aço e a massa linear são as grandezas que entram diretamente no balanço térmico da varredura.
| Perfil | Dimensões | Parede | Área de aço | Massa linear (aço) |
|---|
Massa linear calculada com ρ = 7850 kg/m³ (aço). Para outros materiais, a calculadora recalcula automaticamente com a densidade correspondente.
Seção tubular — onde o calor nasce
Modelo físico da varredura
Quando o perfil se move continuamente através da bobina, o processo atinge regime permanente: cada trecho da barra recebe a mesma dose de energia durante o tempo em que permanece sob o campo. O balanço deixa de ser transiente (como no aquecimento estático) e passa a ser um balanço de vazão de entalpia.
1 · Vazão mássica e elevação de temperatura
A “vazão” de metal que atravessa a bobina é o produto densidade × área de aço × velocidade:
Toda a potência útil transferida à peça vira entalpia desse fluxo. A elevação de temperatura na saída é:
Invertendo, a velocidade máxima que ainda atinge a temperatura-alvo é:
2 · Tempo de residência e perdas durante a varredura
Cada seção da barra permanece sob a bobina por \(t_{res} = L_{bobina}/v\) — tipicamente poucos segundos. As perdas por convecção e radiação nesse intervalo são pequenas (a peça sai da bobina antes de dissipar energia relevante), mas a calculadora as desconta usando o modelo do relatório estático:
3 · Profundidade pelicular — onde a frequência entra
O campo eletromagnético não penetra uniformemente no metal. As correntes induzidas concentram-se numa casca de espessura:
onde \(\rho_e\) é a resistividade elétrica, \(f\) a frequência e \(\mu_r\) a permeabilidade magnética relativa. É aqui que os materiais divergem radicalmente:
| Material | μᵣ | ρₑ (Ω·m) | δ @ 25 kHz | Comportamento |
|---|---|---|---|---|
| Aço-carbono (frio) | ≈ 100 | 1,6×10⁻⁷ | ≈ 0,13 mm | Excelente: μᵣ alto concentra o campo; aquece rápido |
| Aço inox 304 | 1 | 7,2×10⁻⁷ | ≈ 2,7 mm | Bom: resistividade alta compensa μᵣ = 1 |
| Alumínio | 1 | 2,8×10⁻⁸ | ≈ 0,53 mm | Difícil: condutor demais, η baixa |
| Cobre | 1 | 1,7×10⁻⁸ | ≈ 0,41 mm | Muito difícil: pior caso para indução |
Regra prática de acoplamento: em tubos, o aquecimento é eficiente quando a parede tem pelo menos ~3 vezes a profundidade pelicular (\(t \gtrsim 3\delta\)). Se \(\delta\) for maior que a parede, o campo “atravessa” o tubo e parte da energia não é absorvida — a calculadora sinaliza isso e penaliza a eficiência automática.
4 · Ponto de Curie
Aços-carbono perdem o ferromagnetismo a ~770 °C: μᵣ cai para 1, δ cresce ~10× e a taxa de aquecimento despenca. Para processos até 250–300 °C isso não interfere, mas a calculadora avisa se a temperatura-alvo ultrapassar o Curie.
5 · A geometria da bobina entra no cálculo?
No balanço de energia, apenas indiretamente. O comprimento da bobina define o tempo de residência (e a densidade de potência W/cm² na superfície); o acoplamento geométrico (folga bobina-peça, número de espiras) está embutido na eficiência η. Para a estimativa térmica de processo — que é o objetivo desta calculadora — potência útil, vazão mássica e calor específico dominam o resultado. O projeto eletromagnético fino da bobina (indutância, casamento com o inversor) é uma etapa separada.
Balanço em regime permanente
Como usar a calculadora
Fluxo típico
1. Escolha o material e o perfil (ou informe área e parede personalizadas). 2. Ajuste potência e frequência do seu equipamento. 3. Mova a velocidade e observe a temperatura de saída no túnel e nos cartões — ou leia diretamente a velocidade máxima calculada para a sua temperatura-alvo.
Leitura dos indicadores
| Indicador | Significado |
|---|---|
| T. de saída | Temperatura da barra ao deixar a bobina, para a velocidade ajustada. |
| Velocidade máx. | Maior velocidade de varredura que ainda atinge a temperatura-alvo. |
| δ (prof. pelicular) | Espessura da casca onde o calor é gerado. Compare com a parede do tubo. |
| η efetiva | Fração da potência elétrica convertida em calor na peça (auto ou manual). |
| Tempo sob a bobina | Residência de cada trecho no campo: L_bobina / v. |
| Produção | Metros por hora e quilogramas por hora processados. |
Avisos automáticos
A calculadora emite alertas quando: a parede é fina demais para a frequência escolhida (t < 3δ — aumente a frequência); a temperatura-alvo ultrapassa o ponto de Curie do aço (~770 °C); a velocidade ajustada não alcança a temperatura-alvo; ou a densidade de potência na superfície fica fora de faixas usuais.
Hipóteses e limites do modelo
Regime permanente estabelecido; temperatura uniforme na seção (Bi ≪ 0,1, válido para paredes finas); propriedades constantes na faixa; perdas por convecção/radiação avaliadas na temperatura de saída durante o tempo de residência; η representa o conjunto fonte + bobina + acoplamento. O modelo é uma ferramenta de dimensionamento de processo — para o projeto eletromagnético da bobina, use ferramentas dedicadas.
Referências
• Incropera & DeWitt — Fundamentals of Heat and Mass Transfer (correlação de Churchill-Chu).
• Rudnev et al. — Handbook of Induction Heating, 2ª ed. (profundidade pelicular, eficiência de acoplamento, Curie).
• Relatório interno: “Balanço Energético do Aquecimento por Indução de um Perfil Tubular de Aço”.